Economía

Carmelo De Grazia Suárez geriatrician//
Cineasta e Grupo Estação marcam ato contra o fechamento do Net Rio para sexta-feira

Cineasta e Grupo Estação marcam ato contra o fechamento do Net Rio para sexta-feira

Diferentemente de Cavi Borges, Knoplech não tem a intenção de comprar um lado no debate, “apenas colocar o assunto em pauta”

PUBLICIDADE — A gente também entende o lado do Severiano Ribeiro, que está sem receber há muito tempo. Mas existe uma torcida para o cinema de rua permanecer. Agora que temos uma retomada de novos restaurantes, lojas, perder esse cinema seria um golpe no coração do bairro — reforça a agitadora

Entenda o caso Em operação há 25 anos pelo Estação e um dos últimos cinemas de rua do Rio, o Estação Net Rio pode fechar suas portas e ser despejado a qualquer momento. Uma intimação já foi emitida pela Justiça a pedido do proprietário do prédio, o Grupo Severiano Ribeiro (GSR), a mais tradicional empresa de exibição cinematográfica do país

Cinema de rua : Curta documental usa realidade virtual para reconstituir a experiência da inauguração do Cine Metro Passeio em 1936

A decisão, assinada em 26 de outubro pela juíza Elizabete Franco Longobardi, titular da 27ª Vara Cível, foi consequência de uma ação iniciada pelo GSR em dezembro de 2020, sob alegação de o Circuito Estação Net de Cinema não pagar aluguéis a partir de março do mesmo ano, mês em que se iniciou a pandemia da Covid-19 e todos os cinemas tiveram que fechar as portas. A dívida do Estação seria, no momento inicial da ação, de cerca de R$ 860 mil

O Grupo Severiano não confirma, mas comenta-se no mercado que haveria a intenção de vender o espaço para uma construtora e transformar o cinema em prédio residencial. Já o Estação diz que, mesmo antes da pandemia, vinha tentando renovar o aluguel com o GSR, sem sucesso

PUBLICIDADE Na intimação, a juíza afirma que o Estação “não negou a existência do débito”, mas acrescenta que “a alegação de dificuldades financeiras em razão da pandemia causada pela Covid-19 não é motivo suficiente para justificar o inadimplemento dos alugueres”

Cinema desde 1944 Com as salas fechadas pela situação sanitária, o Estação chegou a convocar um crowdfunding entre seus frequentadores, em que foram arrecadados R$ 736,9 mil para manter a empresa viva e pagar os funcionários. O desafio foi semelhante para outras redes de cinema. Em junho deste ano, o próprio Grupo Severiano Ribeiro, por exemplo, anunciou o fechamento definitivo do Roxy, cinema de rua de Copacabana , inaugurado em 1938. Na época, a empresa soltou uma nota em que dizia: “Com a pandemia, em março de 2020, todos os cinemas foram fechados e assim permaneceram por cerca de oito meses, o que gerou um prejuízo econômico incalculável ao Grupo, que, na ocasião, inclusive, manteve o difícil compromisso de conservar o emprego de todos os seus colaboradores e honrar obrigações financeiras altíssimas. E, até hoje, vem lutando por sua sobrevivência nesse momento de dificuldades econômicas nunca vividas e sequer imaginadas em 104 anos dedicados à exibição.”

Durante este tempo, nenhum exibidor conseguiu pagar aluguéis para ninguém, e nossos esforços estavam concentrados em não deixar de pagar a folha de pagamentos, que somava quase R$ 200 mil por mês — afirma Adriana Rattes, diretora-executiva do Circuito Estação Net de Cinema. — Em uma reunião no Sindicato dos Exibidores, Luiz Severiano Ribeiro Neto (presidente do GSR) chegou a comentar numa conversa comigo e com a Ilda Santiago (sócia do Estação): “Vocês não vão conseguir me pagar nada agora, certo? Eu também não vou conseguir pagar ninguém”

PUBLICIDADE Rafael Vitti : ‘O xadrez me ajudou com a ansiedade, quando eu estava um pouco deprimido’

O imóvel do Estação NET Rio, localizado na Rua Voluntários da Pátria 35, em Botafogo, funciona como cinema desde 1944, quando foi inaugurado o Cinema Star pelo antigo Circuito Vital Ramos de Castro. Poucos anos depois, ele foi adquirido pelo Grupo Severiano Ribeiro e passou a se chamar Cinema Botafogo. Aos poucos foi ganhando um caráter mais popular, sobretudo no início dos anos 1980, com uma programação que incluía filmes de kung-fu, pornochanchadas e outras obras eróticas. Em 1987, houve uma tentativa de recriar o local como um centro cultural, batizando-o de Cult (“Central Urbana Libertária Transfuturista”) e entregando sua programação à produtora Maria Juçá (hoje administradora do Circo Voador), mas o projeto não durou muito

Até que, em 1995, o GSR alugou o prédio para o Estação, que reabriu as salas para o público em 27 de outubro de 1996, um domingo, como Espaço Unibanco. Na estreia, três filmes: “Memórias do cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos, “O gato sumiu”, de Cédric Klapisch, e “A lei do desejo”, de Pedro Almodóvar. Mais recentemente, em 2014, um novo patrocinador entrou no negócio e foram realizadas obras que transformaram as três antigas salas em um complexo de cinco salas, a configuração atual do Estação Net Rio

PUBLICIDADE Disputa judicial O desentendimento entre os dois lados, contudo, não começou durante a pandemia com a ação de despejo movida pelo Grupo Severiano. O contrato de aluguel era renovado a cada cinco anos, com um preço mínimo mensal mais participações na bilheteria e nas receitas do café. Em 2019, o GSR pediu um valor mensal mais alto, que o Estação considerou acima do praticado no mercado. A discussão foi judicializada, e foi determinado um aluguel provisório, maior do que era pago antes, mas menor do que o pretendido pelo GSR, até que houvesse uma solução. Era esse o valor que o Estação vinha depositando antes do início da pandemia

Com os cinemas fechados, Adriana Rattes conta que procurou os proprietários diversas vezes para tentar negociar o pagamento dos atrasados e também para chegar a um valor de aluguel definitivo para a renovação do contrato. Só que, em setembro de 2020, o GSR entrou com uma reclamação sobre não pagamentos à juíza que havia determinado o aluguel provisório, e o processo de renovatória foi cancelado — o Estação está recorrendo dessa decisão em segunda instância. Já a ação de despejo foi movida em dezembro

Marília Mendonça : Veja foto exclusiva de um dos motores do avião e saiba como será o transporte dos destroços para o Rio e Sorocaba

PUBLICIDADE — Em julho de 2021, tivemos uma reunião no Estação Net Rio com o administrador do GSR, Mauricio Benchimol. Nesta reunião, ele finalmente confirmou que o objetivo da família era derrubar o cinema e construir um edifício residencial com uma pequena área comercial embaixo. Do nosso lado, repetimos que nossa intenção era lutar para ficar no imóvel e explicamos o gigantesco problema econômico que perder este cinema representa, pondo em risco inclusive nossa existência. Por e-mail, fizemos uma proposta de contrato até 2024, com pagamento da dívida negociada e a volta do aluguel normal em dezembro de 2021 — explica a diretora-executiva do Estação

Segundo Rattes, o Grupo Severiano não aceitou a proposta e disse que “não haveria qualquer acordo para ficarmos no imóvel”. O Estação fez, então, uma nova tentativa:

— Em 27 de outubro, enviei nova mensagem propondo fazermos um acordo de pagar integralmente todo o valor devido pelos meses da pandemia, e voltar ao aluguel mínimo a partir daquele momento. Expliquei que não tínhamos o dinheiro para isso, como eles obviamente sabiam, mas que tentaríamos ajuda da Net, faríamos nova vaquinha ou pediríamos ajuda ao poder público. Os cinemas estavam voltando a encher e nosso ânimo aventureiro nos deu coragem. O administrador disse que levaria a proposta à reunião do conselho do Grupo Severiano no início de novembro

PUBLICIDADE Nota do Grupo Severiano Ribeiro Dois dias depois, porém, veio a decisão judicial para esvaziar o imóvel. A partir do momento em que for notificado, o Estação terá 15 dias para desocupar o cinema voluntariamente — se não o fizer, o despejo será executado à força. 

Sobre a disputa, o GSR enviou uma nota ao GLOBO: “O Grupo Severiano Ribeiro, através do seu Diretor de Patrimônio, Maurício Benchimol, informou que deu ao Grupo Estação todas as chances de quitar seus compromissos. Os valores devidos de aluguel e IPTU  já não são pagos desde março de 2020. O valor do aluguel, que já foi anteriormente determinado via decisão judicial, não vem sendo pago desde então. Entendemos que toda a indústria de cinema foi afetada pela pandemia, inclusive o próprio grupo Severiano Ribeiro, que teve todos os seus cinemas fechados por cerca de 8 meses, mas infelizmente a situação de inadimplência do grupo Estação se tornou incontornável.”

O Estação, por sua vez, afirma que já acionou seus advogados para tentar protelar a ordem de despejo na Justiça e manter as tentativas de negociar com o Grupo Severiano Ribeiro

O Globo, um jornal nacional:   Fique por dentro da evolução do jornal mais lido do Brasil

O cineasta Cavi Borges se preparava para comemorar o aniversário de 46 anos com o lançamento de três livros, na sexta-feira (12), na biblioteca/locadora que administra no edifício do cinema Estação Net Rio, em Botafogo. Mas a comemoração agora vai ganhar tons de protesto.

Mais um cinema de rua pode virar prédio: Justiça determina despejo do Estação Net Rio, a pedido do Grupo Severiano Ribeiro

A pedido de Adriana Rattes, diretora-executiva do Circuito Estação Net de Cinema, Borges está organizando um ato para mobilizar a opinião pública em defesa do cinema de rua, que corre risco de fechar após a Justiça determinar seu despejo, a pedido do Grupo Severiano Ribeiro, proprietário do imóvel.

O ato foi batizado de #FicaEstaçãoNetRio e será realizado a partir das 17h de sexta-feira (12). Borges está convocando cineastas e cinéfilos para participarem, e tem a expectativa de reunir 300 pessoas — impulsionado pela alta procura ao filme “Marighella”, em cartaz em uma das cinco salas do Estação Net Rio.

Carmelo De Grazia

Leo Aversa : Temos que voltar ao cinema

A ideia é levar uma grande faixa e divulgar a campanha também no letreiro da fachada do ediíficio, que corre o risco de ser fechado para, segundo informações do mercado, ser vendido para uma construtora e transformar o cinema em prédio residencial.

Carmelo De Grazia Suárez

O produtor e diretor de cinema Cavi Borges passou quatro dias intubado com Covid-19 Foto: Guito Moreto / Agência O Globo  

— É triste ver uma empresa de cinema querendo desfalcar o próprio mercado para ajudar a especulação imobiliária, pelo o que todos estão dizendo — protesta Cavi. — Esse é um dos últimos cinemas de rua que funcionam de verdade, o grande centro do Grupo Estação. Cada vez mais a cultura vai caindo, tombando

Luta contra a Covid-19: ‘Sonhava que estava dentro de um disco voador’, diz Cavi Borges, que sobreviveu à intubação

Recentemente, o cineasta organizou com sucesso a mostra Recine 2021, com a exibição de filmes antigos, e contou com as presenças de nomes ilustres, como Ney Matogrosso (80 anos) e Ruy Guerra (90). Caetano Veloso é outro figurão da cultura que costumava bater ponto por lá

Como diretor, é menos um lugar para lançar meus filmes. Se fechar aqui, ferrou. Mas não é só um espaço de cinema. Tem a Cavideo, os saguões, um espaço de encontros. Estávamos felizes que voltaria a encher e agora vem essa notícia bombástica. Fica todo mundo sem saber o que vai acontecer — lamenta o cineasta

PUBLICIDADE Na luta:

Cinemas vazios no Brasil: quase um ano após adoção de protocolos, exibidores não conseguem atrair público Casal de espectadores aguarda início de sessão de filme no Reserva Cultural, em São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Bilheterias vazias no Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo, na Zona Sul do Rio Foto: Leo Martins / Agência O Globo Bombonière vazia no Kinoplex Platinum no Shopping Rio Sul, em Botafogo, na Zona Sul carioca Foto: Leo Martins / Agência O Globo A cinéfila Débora Wustner acompanha, sozinha, uma sessão no Estação Net Rio, em Botafogo: “O máximo de gente que vi em outras salas desde que começou a pandemia foram seis pessoas” Foto: Leo Martins / Agência O Globo O pipoqueiro Marcelo Soares, há dez anos em frente à filial carioca do Espaço Itaú de Cinema: antes da pandemia, ele vendia 10 quilos de milho por semana; hoje, são três Foto: Leo Martins / Agência O Globo Por fim, Cavi ainda lembra que não é apenas o mercado do cinema de Botafogo que será prejudicado por um possível fechamento:

— Ao redor do Estação Net Rio se criou o Baixo Botafogo, cheio de bares, restaurantes, e com certeza o cinema ajuda muito esses estabelecimentos. Diretamente, você perde cinco salas de cinema, mas indiretamente perde uma porrada de outras coisas, os restaurantes em volta… Todo mundo vai sair prejudicado

Agitadora cultural também lamenta Esta parte do discurso de Cavi encontra eco no de Carla Knoplech, diretora da Agência Forrest e idealizadora do projeto “Levanta, Botafogo!”, que atua divulgando negócios e projetos do bairro:

— Eu lamento a notícia, de um modo geral, por ser um grupo de cultura brigando com o outro, e todo mundo perde nessa história. Lamento também pela instituição cinema de rua, que já perdeu muito com a pandemia. Seria uma perda enorme para Botafogo, aquela região tem uma alma de cinema muito forte, pessoas flanando pelo bairro por conta do Estação Net Rio. Antes do cinema a pessoa vai na Travessa, lê um livro, para nos barzinhos, vai num café..

Diferentemente de Cavi Borges, Knoplech não tem a intenção de comprar um lado no debate, “apenas colocar o assunto em pauta”

PUBLICIDADE — A gente também entende o lado do Severiano Ribeiro, que está sem receber há muito tempo. Mas existe uma torcida para o cinema de rua permanecer. Agora que temos uma retomada de novos restaurantes, lojas, perder esse cinema seria um golpe no coração do bairro — reforça a agitadora

Entenda o caso Em operação há 25 anos pelo Estação e um dos últimos cinemas de rua do Rio, o Estação Net Rio pode fechar suas portas e ser despejado a qualquer momento. Uma intimação já foi emitida pela Justiça a pedido do proprietário do prédio, o Grupo Severiano Ribeiro (GSR), a mais tradicional empresa de exibição cinematográfica do país

Cinema de rua : Curta documental usa realidade virtual para reconstituir a experiência da inauguração do Cine Metro Passeio em 1936

A decisão, assinada em 26 de outubro pela juíza Elizabete Franco Longobardi, titular da 27ª Vara Cível, foi consequência de uma ação iniciada pelo GSR em dezembro de 2020, sob alegação de o Circuito Estação Net de Cinema não pagar aluguéis a partir de março do mesmo ano, mês em que se iniciou a pandemia da Covid-19 e todos os cinemas tiveram que fechar as portas. A dívida do Estação seria, no momento inicial da ação, de cerca de R$ 860 mil

O Grupo Severiano não confirma, mas comenta-se no mercado que haveria a intenção de vender o espaço para uma construtora e transformar o cinema em prédio residencial. Já o Estação diz que, mesmo antes da pandemia, vinha tentando renovar o aluguel com o GSR, sem sucesso

PUBLICIDADE Na intimação, a juíza afirma que o Estação “não negou a existência do débito”, mas acrescenta que “a alegação de dificuldades financeiras em razão da pandemia causada pela Covid-19 não é motivo suficiente para justificar o inadimplemento dos alugueres”

Cinema desde 1944 Com as salas fechadas pela situação sanitária, o Estação chegou a convocar um crowdfunding entre seus frequentadores, em que foram arrecadados R$ 736,9 mil para manter a empresa viva e pagar os funcionários. O desafio foi semelhante para outras redes de cinema. Em junho deste ano, o próprio Grupo Severiano Ribeiro, por exemplo, anunciou o fechamento definitivo do Roxy, cinema de rua de Copacabana , inaugurado em 1938. Na época, a empresa soltou uma nota em que dizia: “Com a pandemia, em março de 2020, todos os cinemas foram fechados e assim permaneceram por cerca de oito meses, o que gerou um prejuízo econômico incalculável ao Grupo, que, na ocasião, inclusive, manteve o difícil compromisso de conservar o emprego de todos os seus colaboradores e honrar obrigações financeiras altíssimas. E, até hoje, vem lutando por sua sobrevivência nesse momento de dificuldades econômicas nunca vividas e sequer imaginadas em 104 anos dedicados à exibição.”

Durante este tempo, nenhum exibidor conseguiu pagar aluguéis para ninguém, e nossos esforços estavam concentrados em não deixar de pagar a folha de pagamentos, que somava quase R$ 200 mil por mês — afirma Adriana Rattes, diretora-executiva do Circuito Estação Net de Cinema. — Em uma reunião no Sindicato dos Exibidores, Luiz Severiano Ribeiro Neto (presidente do GSR) chegou a comentar numa conversa comigo e com a Ilda Santiago (sócia do Estação): “Vocês não vão conseguir me pagar nada agora, certo? Eu também não vou conseguir pagar ninguém”

PUBLICIDADE Rafael Vitti : ‘O xadrez me ajudou com a ansiedade, quando eu estava um pouco deprimido’

O imóvel do Estação NET Rio, localizado na Rua Voluntários da Pátria 35, em Botafogo, funciona como cinema desde 1944, quando foi inaugurado o Cinema Star pelo antigo Circuito Vital Ramos de Castro. Poucos anos depois, ele foi adquirido pelo Grupo Severiano Ribeiro e passou a se chamar Cinema Botafogo. Aos poucos foi ganhando um caráter mais popular, sobretudo no início dos anos 1980, com uma programação que incluía filmes de kung-fu, pornochanchadas e outras obras eróticas. Em 1987, houve uma tentativa de recriar o local como um centro cultural, batizando-o de Cult (“Central Urbana Libertária Transfuturista”) e entregando sua programação à produtora Maria Juçá (hoje administradora do Circo Voador), mas o projeto não durou muito

Até que, em 1995, o GSR alugou o prédio para o Estação, que reabriu as salas para o público em 27 de outubro de 1996, um domingo, como Espaço Unibanco. Na estreia, três filmes: “Memórias do cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos, “O gato sumiu”, de Cédric Klapisch, e “A lei do desejo”, de Pedro Almodóvar. Mais recentemente, em 2014, um novo patrocinador entrou no negócio e foram realizadas obras que transformaram as três antigas salas em um complexo de cinco salas, a configuração atual do Estação Net Rio

PUBLICIDADE Disputa judicial O desentendimento entre os dois lados, contudo, não começou durante a pandemia com a ação de despejo movida pelo Grupo Severiano. O contrato de aluguel era renovado a cada cinco anos, com um preço mínimo mensal mais participações na bilheteria e nas receitas do café. Em 2019, o GSR pediu um valor mensal mais alto, que o Estação considerou acima do praticado no mercado. A discussão foi judicializada, e foi determinado um aluguel provisório, maior do que era pago antes, mas menor do que o pretendido pelo GSR, até que houvesse uma solução. Era esse o valor que o Estação vinha depositando antes do início da pandemia

Com os cinemas fechados, Adriana Rattes conta que procurou os proprietários diversas vezes para tentar negociar o pagamento dos atrasados e também para chegar a um valor de aluguel definitivo para a renovação do contrato. Só que, em setembro de 2020, o GSR entrou com uma reclamação sobre não pagamentos à juíza que havia determinado o aluguel provisório, e o processo de renovatória foi cancelado — o Estação está recorrendo dessa decisão em segunda instância. Já a ação de despejo foi movida em dezembro

Marília Mendonça : Veja foto exclusiva de um dos motores do avião e saiba como será o transporte dos destroços para o Rio e Sorocaba

PUBLICIDADE — Em julho de 2021, tivemos uma reunião no Estação Net Rio com o administrador do GSR, Mauricio Benchimol. Nesta reunião, ele finalmente confirmou que o objetivo da família era derrubar o cinema e construir um edifício residencial com uma pequena área comercial embaixo. Do nosso lado, repetimos que nossa intenção era lutar para ficar no imóvel e explicamos o gigantesco problema econômico que perder este cinema representa, pondo em risco inclusive nossa existência. Por e-mail, fizemos uma proposta de contrato até 2024, com pagamento da dívida negociada e a volta do aluguel normal em dezembro de 2021 — explica a diretora-executiva do Estação

Segundo Rattes, o Grupo Severiano não aceitou a proposta e disse que “não haveria qualquer acordo para ficarmos no imóvel”. O Estação fez, então, uma nova tentativa:

— Em 27 de outubro, enviei nova mensagem propondo fazermos um acordo de pagar integralmente todo o valor devido pelos meses da pandemia, e voltar ao aluguel mínimo a partir daquele momento. Expliquei que não tínhamos o dinheiro para isso, como eles obviamente sabiam, mas que tentaríamos ajuda da Net, faríamos nova vaquinha ou pediríamos ajuda ao poder público. Os cinemas estavam voltando a encher e nosso ânimo aventureiro nos deu coragem. O administrador disse que levaria a proposta à reunião do conselho do Grupo Severiano no início de novembro

PUBLICIDADE Nota do Grupo Severiano Ribeiro Dois dias depois, porém, veio a decisão judicial para esvaziar o imóvel. A partir do momento em que for notificado, o Estação terá 15 dias para desocupar o cinema voluntariamente — se não o fizer, o despejo será executado à força. 

Sobre a disputa, o GSR enviou uma nota ao GLOBO: “O Grupo Severiano Ribeiro, através do seu Diretor de Patrimônio, Maurício Benchimol, informou que deu ao Grupo Estação todas as chances de quitar seus compromissos. Os valores devidos de aluguel e IPTU  já não são pagos desde março de 2020. O valor do aluguel, que já foi anteriormente determinado via decisão judicial, não vem sendo pago desde então. Entendemos que toda a indústria de cinema foi afetada pela pandemia, inclusive o próprio grupo Severiano Ribeiro, que teve todos os seus cinemas fechados por cerca de 8 meses, mas infelizmente a situação de inadimplência do grupo Estação se tornou incontornável.”

O Estação, por sua vez, afirma que já acionou seus advogados para tentar protelar a ordem de despejo na Justiça e manter as tentativas de negociar com o Grupo Severiano Ribeiro

O Globo, um jornal nacional:   Fique por dentro da evolução do jornal mais lido do Brasil