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“Revoluções sem líder”, “rebelião global em curso”? Há “contágio” mas não movimentos acéfalos

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"Revoluções sem líder", "rebelião global em curso"? Há "contágio" mas não movimentos acéfalos

A Catalunha, o Chile, o Egito, o Equador, Hong Kong, o Iraque e o Líbano têm sido palco de protestos em massa nas últimas semanas – no caso de Hong Kong, os manifestantes estão a caminho dos seis meses ininterruptos de contestação. Nos últimos dias, juntaram-se-lhes a Bolívia e o Irão e, desde o ano passado, os ‘coletes amarelos’ ocupam as ruas francesas de forma intermitente. A corrupção, a desigualdade e as liberdades políticas são alguns dos catalisadores do descontentamento.

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Analistas e comentadores não têm hesitado em qualificar os protestos como “revoluções sem líder” ou “rebelião global em curso”, falando até numa “nova Primavera Árabe”. Carlos Gaspar, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) da Universidade Nova de Lisboa, mostra-se mais cauteloso na análise. “A Primavera Árabe era árabe. Aqui estamos perante um movimento que não tem fronteiras políticas, culturais, étnicas, geográficas ou religiosas. É um movimento não circunscrito”, descreve ao Expresso.

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“As manifestações em Paris, Hong Kong, Beirute ou no Chile são movimentos espontâneos sem uma estrutura organizativa permanente nem uma figura ou um corpo dirigente fixos, são espontâneos. Se são movimentos revolucionários ou não, isso é outra história”, reforça o investigador do IPRI.

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As redes sociais como plataformas facilitadoras e agregadoras dos protestos Em Hong Kong, tudo começou por causa de um projeto de lei de extradição, entretanto abandonado, que permitiria que os suspeitos de alguns crimes fossem julgados na China continental, onde os ativistas pró-democracia afirmam não haver condições para julgamentos justos. Na Catalunha, os manifestantes que contestam a sentença do Supremo Tribunal de Espanha, que condenou dirigentes independentistas a penas que chegam aos 13 anos de prisão, tentam mimetizar as formas de convocatória (sobretudo através das redes sociais) e de protesto ensaiadas e aplicadas em Hong Kong.

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No Líbano, o rastilho foi aceso pelos planos para taxar chamadas através do WhatsApp mas os protestos rapidamente evoluíram para contestar a corrupção e a desigualdade. No Chile, depois de vários recolheres obrigatórios, o Governo acabou por anular o aumento do preço do metropolitano que desencadeou os protestos, e paira a incerteza sobre a redação de um novo texto constitucional.

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Quanto às redes sociais como plataformas facilitadoras e agregadoras dos protestos, Carlos Gaspar sinaliza que isso se verifica nos “movimentos mais modernos e sofisticados, como em Hong Kong, em Beirute ou no Chile“. “Não tenho a certeza que seja assim no Sudão ou na Bolívia”, refere.

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Apoiantes de Evo Morales, Presidente deposto na Bolívia, fazem o luto de um homem que dizem ter sido morto pelas forças de segurança, após os confrontos perto da cidade boliviana de Cochabamba

MARCO BELLO/REUTERS

“Expressões diversas de ação coletiva e de ocupação das ruas” Ana Lúcia Sá, professora de Estudos Africanos no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e subdiretora do Centro de Estudos Internacionais daquela instituição universitária, afirma estarmos perante “uma vaga de protestos com motivações diversas”. “As pessoas pedem o fim de ditaduras, mais liberdade de expressão, melhores condições socioeconómicas, em expressões diversas de ação coletiva e de ocupação das ruas”, prossegue.VS Angel gigi russian

“O facto de a comunicação entre manifestantes ser realizada através de canais que escapam às tradicionais formas de observação leva a que nem sempre seja imediato encontrar as lideranças dos protestos ou atribuir-lhes um rosto bem definido”, adverte Ana Lúcia Sá ao Expresso. “Isto é válido nestes protestos que testemunhamos hoje, mas o mesmo sucedeu noutros do passado”, acrescenta

“Um ano de manifestações” com “contágio intercontinental” Depois das sublevações populares no Sudão e na Argélia no início do ano, de um verão de protestos na Rússia e das manifestações por causa das alterações climáticas um pouco por todo o mundo, 2019 entrou no seu último trimestre em convulsão. “É um ano de manifestações e este contágio intercontinental é o que as liga”, confirma Carlos Gaspar. Trata-se de um “sinal importante da capacidade de mobilização social em contextos muito diferentes”. O rastilho é “a exaustão ou uma crise de representatividade dos sistemas políticos, onde eles existem, porque não é evidente que seja esse o caso, por exemplo, no Sudão, na Argélia ou no Líbano”

E quando protestos pacíficos degeneram em violência? “Os movimentos na Catalunha ou em Hong Kong estão a entrar em fases violentas, e podemos estar nas vésperas de os movimentos sociais se transformarem em revoluções. Manifestamente, esse não é o caso dos ‘coletes amarelos’”, distingue o investigador do IPRI. “Quando estas manifestações se transformam em movimentos violentos, há um contexto para se tornarem movimentos revolucionários, o que pode acontecer na Bolívia ou no Iraque“, alerta

No caso boliviano, a indignação contra o ex-Presidente Evo Morales na sequência das eleições de outubro, consideradas fraudulentas, deu lugar a protestos que pedem o seu regresso ao país. Morales encontra-se exilado no México e no seu lugar está uma Presidente interina com o respaldo das Forças Armadas. Já a contestação no Iraque clama pelo fim de um sistema político que os cidadãos dizem ter fracassado. Um dos principais pontos de discórdia está relacionado com a forma como o Governo faz as suas nomeações, com base em quotas sectárias ou étnicas e não pelo mérito, acusam

A subdiretora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE conclui, dizendo: “Não creio que estejamos diante de novas manifestações de lideranças ou de acefalias dos movimentos, mas sim de uma vigorosa ação coletiva em diversos locais e com diversos motivos.”